O Amigo José André Lôpez Gonzâlez publicou este poema adicado ao poeta Diaz Castro en LUSOFONIA, o teu espaço de poesia lusófona, que teño a ven publicar aquí.
Na morte de José Maria Diaz Castro
(O escultor Raul Rio Diaz notificou-me o passamento em 2 de Outubro de 1990 do grande poeta galego Diaz Castro e em 3 de Outubro e eu escrevi este soneto em homenagem.
O poema foi publicado no órgão oficial do Bloco Nacionalista Galego, Benegá. Não lembro o número agora mas, foi polos dias em que morrera o poeta).
"E um cão que ficava deitado ergueu a testa e as orelhas. Era Argos, o cão do paciente Ulises a quem ele criara, mas que teve que o abandonar quando houve de partir para a sagrada Ílion."
(Homero, A Ilíada)
Honor àquele que navegou os mares
para voltar à Pátria in-esquecida
e envolto na saudade lentescida
nos trouxe a nau enchida de cantares.
Bogaste junto a nós para nos dares
Nimbos de luz e agora, na partida,
fica um recendo a erva florescida
Ulises Diaz Castro dos Vilares.
No Vilarinho a terra se outoniça
e bradam os bois longos letargos:
Um passo adiante e outro atrás, Galiza.
Um dia hão voltar passos amargos
e bandeiras de Parga a Pastoriza
quando te reconheçamos, como Argos.
Quarta-feira, 3 de Outubro de 1990.
Notas para leitores não galegos:
1.- “Nimbos” é o único livro que escreveu o poeta e que o sancionou como um dos mais grandes poetas em português da Galiza.
2.- O Vilarinho é a aldeia pertencente à freguesia dos Vilares (Concelho de Guitiriz na província de Lugo) onde nasceu em 19 de fevereiro do 1914.
3.- O terceiro verso do primeiro terceto é um verso colhido do seu imortal poema “Penélope”, transunto da Galiza.
4.- Parga e Pastoriza são duas vilinhas pertencentes à Terra Chã, comarca luguesa à que pertencia o poeta e que tem por capital a vila de Vilalva.